segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alteração da programação do Mês da Consciência Negra - evento de hoje adiado

Infelizmente, informamos a todos que os dois painéis de debate que seriam realizados hoje, 07, às 19h, na Assembleia Legislativa (Territorialidade Negra Urbana e Rural em Santa Catarina) foram cancelados por problemas com o local.

O evento que aconteceria hoje foi transferido para o dia 21 de novembro, mesmo horário em local ainda a confirmar.

As demais programações estão confirmadas.

Qualquer alteração, avisaremos pelo nosso blog, site ou pelo nosso e-mail.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mês da Consciência Negra





PROGRAMAÇÃO

03/11
10h
Escolas da Rede Municipal de Ensino – Prof. Roberta Lima
Início do Projeto “Conhecendo e Reconhecendo Cruz e Sousa com a Música”

19h
Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Rua Doutor Jorge Luz Fontes, 310, Centro
Abertura das Atividades:
Mesa de Autoridades com a presença da Ministra Luiza Bairros
Homenagem póstuma a Vicente Francisco do Espírito Santo: “A Exceção e a Regra”

Vicente Francisco do Espírito Santo, militante negro, ativista da luta anti-racista e contra a intolerância religiosa, foi demitido da empresa estatal em que trabalhava, em março de 1992. Ao tomar conhecimento de que a razão de sua demissão estava na cor de sua pele, ajuizou uma ação. Em 1996, conseguiu uma vitória histórica. O Tribunal Superior do Trabalho determinou a reintegração de Vicente ao posto de trabalho. Seu caso teve repercussão nacional e é emblemático, por ser o primeiro caso em que os tribunais reconheceram a prática de racismo no local de trabalho, constituindo, assim, a exceção à regra.

07/11
19h
Auditório Stuart Wright – Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina
“Territorialidade Negra em Santa Catarina”
1º Painel: Territorialidade Negra Urbana em Florianópolis
Jailson de Souza e SilvaCoordenador Geral /Observatório de Favelas/RJ;
Cristiana TramonteProfessora e Pesquisadora da Cultura Afro-brasileira /
Núcleo Mover de Educação Intercultural e Movimentos Sociais / UFSC;
Mediadora: Alexandra Alencar – Doutoranda pesquisadora NUER / Arrasta-Ilha

2º Painel: Territorialidade Negra Rural em Santa Catarina
Raquel Mombelli /Doutora em Antropologia Social /NUER;
Vanda Pinedo /Movimento Negro Unificado/MNU;
Marcelo Spaolonse /INCRA
Mediador: Willian Conceição – Acadêmico de História da UDESC / Bolsista pesquisador NUER

09/11
9hs ao 12hs
Vila Aperecida
Oficina de Dança e Percussão Africana com o Senegalês Modou Diatta

19h
Auditório da Superintendência Regional do Trabalho
Rua Vitor Miereles, 198, Centro – 4º andar
Mesa Temática: “População Negra e Mercado de Trabalho – Relações de Desigualdades”
Rodrigo MinnotoSuperintendente Regional do Trabalho e Emprego de Santa Catarina;
Doutora Andrea Nice Silveira Lino Lopes – Procuradora do Trabalho e Coordenadora Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho – COORDIGUALDE – Ministério Público do Trabalho;
João Nogueira – Sociólogo – Núcleo de Estudos Negro;
Daniel Teixeira – Advogado e Coordenador de Projetos - Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades/CEERT/SP;
Mediador: José Ribeiro – Coordenador de Relações Públicas da Central Única das Favelas/CUFA

10/11
9h às 12h
Monte Serrat
Oficina de Dança e Percussão Africana com o Senegalês Modou Diatta

13/11
14h
Sociedade Recreativa Novo Horizonte
Batizado da Bandeira e Escolha da Rainha do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Dascuia  promovido Diretoria da Escola de Samba Dascuia

15/11
10h
Concentração no Terreiro de Umbanda  Pena Verde
Rua Luiza Maria dos Santos, 32 , Rio Vermelho
Dia Nacional da Umbanda – Caminhada em defesa da Liberdade Religiosa

16h
Sociedade Recreativa Novo Horizonte
Homenagem à Umbanda e aos 60 anos da Almas e Angola em Santa Catarina - promovido pela Associação dos Terreiros de Umbanda Almas e Angola/ATUAA

16/11
19h
Palácio Cruz e Sousa
Praça XV de Novembro, 227, Centro – Florianópolis
Abertura do Seminário de Ensino das Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação, Prefeitura de Florianópolis.

20h
Abertura do 1º Encontro Afro-Literário de Florianópolis – Instituto Enrea

17/11
8h às 17h
Auditório Senac
Rua Silva Jardim, 360, Prainha, Florianópolis
Seminário de Educação para as Relações Étnico-Raciais promovido pela Secretaria Municipal de Educação

19h
Auditório Stuart Wright – Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Mesa Temática: “Estatuto da Igualdade Racial e Ações Afirmativas”
Renato Teixeira/SEPPIR
Marcelo Tragtemberg – Comissão de Ações Afirmativas/UFSC;
Representante da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade do Conselho Federal da OAB;
Egon Koerner Júnior – Procurador - Chefe do Ministério Público do Trabalho/SC;
Mediador: Edsoul – Presidente do Conselho Estadual das Populações Afro-descendentes/CEPA
Lançamento do Livro: “Ações Afirmativas: A Questão das Cotas” de Renato Teixeira

19/11
9h
Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos
Rua Marechal Guilherme, no alto da Escadaria do Rosário, Centro
Culto Ecumênico

10h
Caminhada Zumbi dos Palmares

12h
Apresentação de Projetos Sociais
Africatarina, Abada Capoeira, Capoeira Ilha de Palmares, Mensageiros da Alegria, Mithos, Escola de Samba Mirim do Consulado, Arrasta Ilha, Dandara, Cedep Monte Cristo.

18h30
Teatro da UBRO
Performance Teatral: “Manifesto NEGA” – Coletivo NEGA

20/11
15h
Trapiche da Av. Beira Mar Norte
Lançamento da Campanha dos 16 dias de Ativismo Contra a Violência Doméstica

15h30
Lançamento do Livro: “Pingo de Chuva em A Cor da Amizade”

16h
Cultura de Rua
Família Arma-zen, Grupo Ideologia Comai Maf, Griôs, Movimento Negro Periférico/MNP, Dj Naomi/CUFA, Dj Leko/Ideologia, Ghetos.

18h
Show com Bandas Locais
Velha Guarda da Coloninha, Roberta Lira e Banda, Karine Cunha e Marcus Bonilla, Nenê Maravilha e Deto, Quatro Is, Velha Guarda da Protegidos da Princesa, Facina Samba, Novos Bambas, Velha Guarda da Copa Lord, Intuição, Sambarah.

24/11
10h
Praça XV de Novembro
Entrega da Coroa de Flores ao Busto de Cruz e Sousa – Gab. Ver. Márcio de Souza

19h
Palácio Cruz e Sousa
Solenidade de Homenagem aos 150º anos de nascimento de Cruz e Sousa

23h
Praça XV de Novembro
Serenata em homenagem ao Cruz e Sousa – Gab. Ver. Márcio de Souza

29/11
14h às 18h
Auditório da Fecomércio
Rua Felipe Shimidt, 785, Centro
Seminário: “Política de Saúde da População Negra”
para profissionais da Rede Municipal de Saúde e Comitê Municipal de Saúde da População Negra)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dia da Consciência Negra poderá ser feriado nacional

Projeto aprovado pelo Senado, já passou pela Câmara e agora segue para sanção da presidenta Dilma Rousseff


O Senado Federal aprovou projeto que declara feriado nacional o 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra e o enviou à sanção da presidenta Dilma Roussef. Caso seja sancionado, este será o primeiro feriado do país originário da mobilização social, principalmente do movimento negro. A data já é reconhecida e celebrada como feriado em mais de 200 cidades, inclusive três capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá).

A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Herois da Pátria.

Nas últimas décadas, o 20 de novembro tem sido dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e sobre as consequências do racismo para a vida das pessoas e para o desenvolvimento do país. Apesar do ponto alto da celebração coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares – 20 de Novembro – a cada ano, as atividades alusivas a esta data são expandidas ao longo do mês, ampliando os espaços de discussão sobre as questões raciais.

Anualmente, um número cada vez mais significativo de entidades da sociedade civil, principalmente o movimento negro, tem se mobilizado em todo o país, em torno de atividades relativas à participação da pessoa negra na sociedade em diferentes áreas: trabalho, educação, segurança, saúde, entre outras.

Projeto Original

O projeto original que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (PLS 520/03), de autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), previa apenas a data, mas não o feriado. Na justificação da matéria, Serys argumenta que sua proposta visa criar uma oportunidade para a reflexão sobre o preconceito ainda existente na sociedade brasileira.

Aprovado pelo Senado, o texto foi enviado à Câmara dos Deputados e apensado a outra proposta (PLS 302/2004), que propunha o dia 20 de novembro como feriado nacional.

Feriados

Uma vez sancionado, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra será o nono feriado nacional, juntamente com as seguintes datas: 1º de janeiro (Confraternização Universal), 21 de abril (Tiradentes), 1º de maio (Dia do Trabalho), 7 de setembro (Independência do Brasil), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), 2 de novembro (Finados), 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Natal).

Há ainda quatro datas comemorativas móveis, as quais, embora popularmente conhecidas como feriados nacionais, não são reconhecidas como tal pela legislação brasileira – Terça-Feira de Carnaval, Sexta-Feira da Paixão, Domingo de Páscoa e o Corpus Christi.

* Textos extraídos do Portal do Senado

Coordenação de Comunicação SEPPIR

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mês da Consciência Negra



Em breve, mais informações e a programação completa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Oficina de danças africanas


A Prefeitura de Florianópolis, através da Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes/FFC e da Coordenadoria Municipal de Poíticas Públicas para Promoção de Igualdade Racial/COPPIR, em parceria com a Fundação Nacional de Artes/FUNARTE, promovem Oficina de Capacitação Técnico-Artística em Danças Africanas com Fanta Konate.

A Capacitação tem duração de 30hs será gratuíta e tem como público alvo professores da Rede Estadual e Municipal de Ensino, bem como arte-educadores, pesquisadores e educadores populares, vindo ao encontro com demanda da Lei 10.639/03, que institui o ensino obrigatório da História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas Escolas.

A Capacitação terá início em 13 de outubro de 2011 e acontecerá durante 10 dias consecutivos das 18h30 às 21h30 no Clube Novo Horizonte (Av. Beira Mar Norte, ao lado da OAB).

As inscrições passarão por uma seleção e devem ser feitas através do envio da ficha de inscrição em anexo para o seguinte endereço de email: oficinafunartepmf@hotmail.com.

Comunicamos que as vagas são limitadas e a ficha de inscrição pode ser baixada também no link: http://www.divshare.com/download/15883817-476

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Coppir realizou nessa sexta-feira, 30 de setembro, reunião ampliada de articulação para a formação de uma “Rede de Combate ao Racismo” a ser implantada na cidade de Florianópolis. Na reunião, pautou-se a necessidade de uma comissão de combate ao racismo dentro da OAB/SC.
















Na reunião, estiveram presentes o ouvidor nacional da SEPPIR - Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial, de Brasília - , Dr. Carlos Alberto de Souza e Silva Jr., vereadores, alunos cotistas, Comissões de Ações Afirmativas da UFSC e do IFSC, historiadores, pesquisadores, representantes de Núcleos de Estudos, movimentos sociais e sociedade civil. Após o término da reunião, o ouvidor nacional Carlos Alberto orientou, de forma isolada, casos e denúncias de racismo.


A “Rede de Combate ao Racismo” é uma rede de cooperação e articulação para fluxos e encaminhamentos de denúncias e casos de racismo entre as entidades e sociedade civil da cidade de Florianópolis, junto à ouvidoria da SEPPIR.

 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rede Regional de Combate ao Racismo

A Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial de Florianópolis/COPPIR convida para reunião ampliada com o Ouvidor Nacional da SEPPIR Carlos Alberto de Souza e Silva Jr., entidades do movimento negro e sociedade civil para a articulação quanto a formação de uma “Rede Regional de Combate ao Racismo” a ser implantada na Grande Florianópolis, e orientações quanto ao combate e enfrentamento de casos de racismo.

A reunião se dará 6ª feira, 30 de setembro, dàs 15h30 às 18h00, na sala Oscar Conceição, 1º andar da Câmara Municipal de Florianópolis: Rua Anita Garibaldi, 35, Centro, Florianópolis - SC.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

OAB apoia cotas raciais

Parecer foi emitido em sessão ordinária da entidade ocorrida na tarde de hoje (22), em Brasília
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou hoje (22), por unanimidade, a emissão de parecer pela constitucionalidade das cotas raciais para acesso aos cursos superiores de universidades públicas. Na mesma sessão, ocorrida em Brasília, foi aprovado pedido de ingresso da entidade, na condição de amicus curiae, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 186, que discute a constitucionalidade do referido sistema de cotas. A ADPF foi ajuizada pelo Partido Democratas no Supremo Tribunal Federal em julho de 2009.

Após longo debate conduzido pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, e com base no voto do relator na OAB, o conselheiro federal Luiz Viana Queiroz (Bahia), os 81 conselheiros federais aprovaram o ingresso da entidade na ADPF em apoio à política afirmativa temporária de cotas.

Com este parecer, a OAB assume o entendimento dos seus conselheiros sobre a necessidade de “garantir igualdade de condições de acesso à universidade em uma sociedade extremamente desigual e, discriminatória de homens e mulheres negros e negras, impondo que sejam adotadas medidas capazes de mitigar essa discriminação, entre as quais, a fixação de cotas raciais” – conforme relatório do voto.

O relator da matéria defendeu o apoio da OAB ao sistema de cotas com base em princípios constitucionais como o da igualdade, mantendo-se a autonomia das universidades, e da dignidade da pessoa humana, com o fim de reverter as desigualdades históricas que existem no Brasil em relação aos negros. O voto do relator teve como principal base a audiência pública realizada pela OAB Nacional sobre o tema em abril do ano passado.

A presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade da OAB, Sílvia Nascimento Cerqueira, enalteceu a votação por aclamação da matéria e afirmou que toda a população negra do país aguardava com ansiedade o posicionamento da OAB sobre a matéria. "A partir da decisão da entidade máxima da advocacia tenho certeza de que esse tema será visto com outros olhos a partir de agora", afirmou a advogada, que trouxe a notícia em primeira mão para a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) tão logo foi encerrada a sessão.

“A OAB é essencial à justiça e sua decisão é uma das iniciativas que fortalece a constitucionalidade das ações afirmativas, em especial das cotas, matéria que será apreciada ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal”, afirma o ouvidor da Seppir, Carlos Alberto Júnior.

Veja aqui a íntegra do voto do relator, o conselheiro federal Luiz Viana Queiroz.


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Diálogo entre Brasil e África

Por Adelto Gonçalves

CARTAS D´ÁFRICA E ALGUMA POESIA, coligidas e selecionadas por Salim Miguel seguidas de Conversa Carioca de Marques Rebelo. Rio de Janeiro: Topbooks/Academia Brasileira de Letras, 2005, 188 págs., E-mail: topbooks@topbooks.com.br


Houve uma época, há meio século, apesar das dificuldades de comunicação de então e da ditadura salazarista que grassava, que havia maior intercâmbio entre os intelectuais do Brasil e de Angola, Moçambique e outras terras africanas em que se fala o português. Não acreditam? Pois leiam o que Salim Miguel, escritor brasileiro que anda na juventude de seus 80 anos, reuniu em Cartas d´África e Alguma Poesia (Rio de Janeiro, Topbooks/Academia Brasileira de Letras, 2005).

São cartas que ele recebeu na década de 1950 de escritores das colônias portuguesas na África, eufemisticamente chamadas de províncias do Ultramar. Radicado em Florianópolis, Salim Miguel, em companhia de outros jovens intelectuais, editava a revista Sul, uma das mais importantes publicações culturais que se publicaram no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo.

E por que Florianópolis, se a sua gente, na imensa maioria, tem lá ancestrais açorianos e pouca miscigenação com africanos? Se fosse em Salvador, Belo Horizonte ou mesmo no Rio de Janeiro, seria mais compreensível. Foram, pois, as tramas do destino, o momento, as circunstâncias, como diz Salim Miguel no prefácio.

É que aparecida em 1948 a revista Sul, na acanhada e conservadora Florianópolis de então, o escritor Marques Rebelo (1907-1973), no Rio de Janeiro, dela tomou conhecimento e entusiasmou-se com o esforço que aqueles jovens faziam para fugir do isolamento. A revista não era só uma publicação de artes, idéias e cultura. Em torno dela gravitavam um cineclube, exposições e muita efervescência cultural.

Foi, então, que, convidado a ir a Florianópolis, Marques Rebelo perguntou aos jovens escritores se eles não estavam interessados em contatar outros jovens em Portugal e África. De volta ao Rio de Janeiro, conta Salim Miguel, Marques Rebelo enviaria para Florianópolis o endereço do poeta português Manuel Pinto e do poeta, crítico e gravurista Augusto dos Santos Abranches, de Moçambique.

Começaria, então, um largo intercâmbio de cartas, livros, idéias e experiências. Logo, a revista Sul estava publicando colaborações de nomes pouco conhecidos do público brasileiro, como, por exemplo, o de Adolfo Rocha, o Miguel Torga, então desconhecido no Brasil e até mesmo em Portugal. No último número da revista, o 30, aparece um conto assinado por um tal de José Graça, que, mais tarde, acabaria por se tornar conhecido como Luandino Vieira.

É claro que a coleção da revista Sul é, hoje, uma preciosidade que talvez só seja encontrada em algum arquivo público de Santa Catarina ou, quem sabe, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. E que toda essa correspondência poderia estar perdida se Salim Miguel não a tivesse preservado durante todos estes anos, embora diga que muitas cartas acabaram por se extraviar nas várias mudanças de casa que fez, inclusive, de Florianópolis para o Rio de Janeiro.

Diz o escritor, porém, que, a partir de 1985, houve uma redescoberta do papel de intercâmbio que Sul exerceu entre as então jovens gerações de escritores brasileiros e aqueles que viviam nas chamadas colônias portuguesas de África. Foi naquele ano que o professor Manuel Ferreira, profundo estudioso da literatura africana de expressão portuguesa, e Alexandre Cabral, romancista e especialista em Camilo Castelo Branco, em Lisboa, quiseram saber de que maneira a revista se tornara veículo para a manifestação dos novos escritores africanos durante os anos 50.

Hoje, a estudante paulista Juliana Santin desenvolve uma tese de doutoramento na Universidade de Bordéus que examina as relações culturais entre Brasil e Angola e, naturalmente, dedica um capítulo à influência que a revista Sul exerceu nessa difícil tarefa de unir o que o Atlântico separa. Espera-se que logo seja publicada em livro. Além disso, em Sonha Mamana África, a professora e jornalista brasileira Cremilda Medina já havia registrado o que Luandino Vieira declarou a respeito do que significou para os jovens escritores angolanos o contato com a revista dos jovens escritores catarinenses.

Lembra Salim Miguel que, naqueles difíceis tempos, os escritores de lá e de cá não sabiam se o que enviavam chegaria ao destino. O Brasil vivia uma época de democracia, que seria violentamente quebrada por militares direitistas em 1964, mas Portugal continuava mergulhado no obscurantismo salazarista. Esbirros do ditador na África vasculhavam e violavam correspondências para apreender o que não atendia ao disposto nas leis da censura.

O livro preparado por Salim Miguel reúne cartas de Antônio Jacinto, Luandino Vieira, Américo de Carvalho, Mário Lopes Guerra, Viriato da Cruz e Garibaldino de Andrade, de Angola; Augusto dos Santos Abranches, Orlando Mendes, Manuel Filipe de Moura Coutinho, Domingos de Azevedo, Domingos Ribeiro Silveira e Dulce dos Santos, de Moçambique; e de Fernando Reis, da Ilha de São Tomé.

De todas, a correspondência mais marcante é a de Augusto dos Santos Abranches (1912-1963), que, em 1955, deixou Moçambique para se instalar em São Paulo, onde trabalhou na Livraria Francisco Alves como propagandista de livros e no jornal Portugal Democrático como secretário de redação, falecendo precocemente vítima de problemas cardíacos, depois de casar com uma brasileira com quem teve uma filha.

Deixou vasta obra esparsa e livros inéditos. De notar na correspondência que Abranches mandou de Nampula, em 1952, as referências elogiosas que faz à revista Vértice, então editada em Coimbra, e à “admirável página literária que é a de O Primeiro de Janeiro, do Porto”, que, segundo ele, escapavam do “marasmo puro” em que o modernismo tomava feição acadêmica no Portugal de então. Abranches era colaborador da Vértice e d´O Primeiro de Janeiro.

A morte de Abranches levou Marques Rebelo a escrever “Conversa Carioca”, artigo publicado no jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, nas edições de 18 a 22 de junho de 1963, e reproduzido por Salim Miguel. O escritor reproduziu também artigo que publicou no diário O Estado, de Florianópolis, em 28/8/1983, dez anos depois da morte de Marques Rebelo em que contou como se deu a aproximação daquele intelectual já consagrado na faixa dos 40 anos com os jovens catarinenses que ainda não haviam chegado aos 30. Por fim, o livro traz poemas e um conto de Luandino Vieira que saíram, praticamente, em primeira mão na revista Sul.

Seria bom que o exemplo de Salim Miguel e de seus amigos dos dois lados do Atlântico suscitasse nas jovens gerações a vontade de restabelecer esse diálogo entre Brasil e África, ainda mais agora em que a Internet nos aproxima como nunca.

______________________
(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ciclo de Palestras - (Re)encontro com as diferentes culturas de Florianópolis



Prezado(a) leitor(a);

Vimos por meio desta convidá-lo(a) para o Ciclo de Palestras promovido pela Coppir que acontecerá no Plenarinho da Câmara Municipal de Florianópolis nos dias 07, 08 e 09 de dezembro do corrente ano.

O Ciclo de Palestras intitulado "Relações Étnico-Raciais: (re)encontro(s) com as diferentes culturas de Florianópolis" tem como objetivo divulgar a cultura e a história das diversas etnias em Florianópolis, conforme as leis federais 10.639/2003 (que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira"), 11.645/2008 (que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”), e as municipais 8.046/2009 (que declara feriado municipal o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra) e 7.985/2009 (que institui a inclusão do conteúdo sobre o "Holocausto" nos currículos das escolas municipais).

Endereço Câmara Municipal: Rua Anita Garibaldi, nº 35, Centro.

Mais informações e inscrições: 3251-6221 ou coppir@gmail.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

1º Fórum Pensamento Negro e Articulações Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Criciúma

Com o objetivo de desenvolver implementações de políticas públicas para a promoção da igualdade racial em Criciúma e demais localidades na AMREC é que a Coordenadoria de lá (Copirc) organizou este Fórum, no final de novembro.

A coordenadora municipal de Florianópolis, Dra. Marta Holanda Lobo, esteve presente no evento e palestrou sobre o fortalecimento institucional e parcerias para a implementação de políticas públicas.

Esse foi o primeiro, de muitos, eventos organizados pela Copirc.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia Nacional do Samba - 02/12





O Dia Nacional do Samba é comemorado em todo Brasil, a partir de uma proposição de um vereador de Salvador, Luis Monteiro da Costa, em homenagem a Ary Barroso, que visitou a Bahia pela primeira vez em 2 de dezembro, depois de ter composto a música "Na baixa do sapateiro", que enaltece o estado nordestino. A partir de então, a comemoração da data foi se espalhando por todo o país.

Em Florianópolis, o vereador Márcio de Souza é o responsável pelo evento, neste ano, junto com o GRESC Os Protegidos da Princesa, organizando a 6ª edição do Dia Nacional do Samba.

Os eventos serão de qualidade e de graça, indo ao povo onde o povo está. Logo de manhã, às 7h, quando a população estiver indo para o trabalho ou escola, o grupo Número Baixo estará presenteando com uma apresentação no Terminal Integrado do Centro – Ticen. Às 11h, quando alguns estiverem indo embora, no intervalo do almoço, ou ainda chegando para trabalhar, será a vez do grupo Um Bom Partido.

A partir das 18h, o evento principal, no Mercado Público.

Sambistas, intérpretes, compositores, todos nascidos, ou criados, ou nascidos e criados em Florianópolis, André Calibrina, Camélia, Guilherme Partideiro, Iara Germer, Jandira, Jeisson Dias, Julia, Léia Farias, Maria Helena, Marú, Neném Maravilha, Rachel Barreto, Sabaráh, Verônica Kimura, Vlademir Rosa, Paulinho Carioca, além, claro, das Velhas Guardas da Coloninha, Consulado, Copa Lord e Protegidos, símbolos de resistência e da ancestralidade do samba. Sem as Velhas Guardas, o samba perde muito do seu charme e quase tudo da sua história!

O repertório será baseado em músicas locais e de João Nogueira e Roberto Ribeiro, em homenagem a essas duas figuras de grande importância na história do Samba.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Festa da Independência de Angola

Angola está independente da colônia portuguesa desde 11 de novembro de 1975. Neste ano, completou 34 anos de indepência.
É uma país semi presidencialista e democrático (um presidente eleito, um primeiro ministro, um parlamento) que vive sem guerra civil há apenas 7 anos.
Principais riquezas: Petroléo e diamante
População estimada: 16 milhões de habitantes
Principais línguas locais: Kimbundu, Umbungu
Superfície: 1.246.700 km2
Capital: Launda

Festa
Data: 28 de Novembro de 2009 (sábado agora)
Local: Rancho da Jackie na SC 401, depois do Floripa Shopping.
Ponto de referência: Em frente ao Brinca Mundi
Horário: Apartir das 21h
Preço: R$ 25 - Bebida liberada e comida típica liberada (open bar)
Atrações: Apresentação de dança típica de Angola; Passagem de modelos típicos africanos; Música tradicional e contemporãnea africana - Angolana e todos outros estilos.
Contatos:
Telita: (48) 9977-1191
Tiago: (48) 9618-7972

domingo, 22 de novembro de 2009

João Melo vence Prêmio Nacional de Cultura Angolano


João Melo foi o vencedor da edição 2009, categoria de literatura, do Prêmio Nacional de Cultura e Artes 2009, atribuído pelo Ministério da Cultura (Mincult) Angolano.

O escritor angolano que acaba de publicar na Caminho o livro O Homem Que Não Tira o Palito da Boca recebeu este prêmio, cujo valor é de U$35 mil, pelo conjunto das suas obras em poesia e ficção.

João Melo estará em Portugal para a apresentação do seu novo livro, que decorrerá no dia 24 de Novembro, às 18h30, na
Livraria Pó dos Livros, em Lisboa.


João Melo nasceu em 1955 em Luanda, onde vive. É escritor, jornalista, publicitário, professor universitário e deputado à Assembleia Nacional de Angola. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Estudou Direito em Coimbra e Luanda, graduou-se em Jornalismo na Universidade Federal Fluminense e fez o Mestrado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ambas no Brasil. É membro fundador da União de Escritores Angolanos, da qual já foi secretário geral, presidente da Comissão Directiva e presidente do Conselho Fiscal. Como escritor, é poeta, contista, cronista e ensaísta. Editado em Angola, Portugal, Brasil e Itália, publicou doze livros de poesia, cinco de contos e um de ensaios. Está representado em várias antologias, em Angola e no estrangeiro. Teve três menções honrosas, duas no Prémio Sonangol de Literatura e uma no Prémio Sagrada Esperança, ambos em Angola. Tem textos traduzidos para inglês, mandarim, alemão, italiano e húngaro.

João Melo escreveu o seu primeiro texto literário em 1970, aos 15 anos de idade, tendo começado por publicar poesia, em Luanda. Em 1999, lançou o primeiro dos cinco livros de estórias (contos) que escreveu até à data, todos eles publicados em Portugal pela Caminho. Para assinalar, em 2010, os 40 anos de vida literária do autor, a editora está a programar a finalização da publicação de um conjunto de cinco antologias temáticas da poesia do autor (a primeira, designada Auto-Retrato, saiu em 2007).

Como jornalista, João Melo tem 35 anos de experiência profissional, tendo trabalhado na Rádio Nacional de Angola e dirigido a Agência Angola-Press (ANGOP) e o Jornal de Angola, assim como o Correio da Semana, primeiro jornal angolano privado pós-independência, surgido em 1992. Em 2006, criou a revista África 21, da qual é o director. Colaborador de diversas publicações, mantém actualmente uma coluna regular no Jornal de Angola, Novo Jornal e Semanário Angolense, todos em Angola, assim como nos jornais Savana, de Moçambique, A Semana, de Cabo Verde, e Correio da Semana, de São Tomé e Príncipe. Em 2008 recebeu o Prémio Maboque de Jornalismo, a maior distinção jornalística de Angola.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Titulação dos Quilombolas já!

MANIFESTO EM DEFESA DA TITULAÇÃO DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS JÁ !!!
Pela Assinatura da Portaria da Comunidade de Remanescente de Quilombos Invernada dos Negros – Campos Novos - SC

As Comunidades Remanescentes dos Quilombos de Santa Catarina, juntamente com o Movimento Negro Unificado- MNU-SC, vem perante a população e o povo brasileiro denunciar a grave situação de ataque aos direitos das comunidades quilombolas.
A luta quilombola é secular. Nós e o conjunto das entidades e organizações do movimento negro somos herdeiros e fazemos parte dessa frente.
Hoje, informalmente, são mais de cinco mil comunidades remanescentes de quilombos, nos mais variados graus de organização e mobilização pela defesa de seus direitos e em todos estados da federação.
Direito estes que vem sendo duramente atacados nas várias esferas do estado, como a ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade, ajuizada pelo DEM (Democratas ex-PFL); o projeto de decreto legislativo de autoria do deputado do PMDB de Santa Catarina (deputado Valdir Colatto, projeto de lei 3654), bem como todas as argumentações da bancada ruralistas para a retirada da conceituação de quilombos do Estatuto da Igualdade Racial, as pressões para alterações na instrução normativa (in), anteriormente in 20, hoje, in 52.

A Comunidade de Remanescentes de Quilombos Invernada dos Negros, vem bravamente resistindo a todos estes ataques, foi um longo período de opressão, esbulho onde a comunidade sofreu perseguições de jagunços contratados pela empresa, foi cerceada sua liberdade em seu território, suas lideranças perseguidas e ameaçadas, desemprego como retalhação, acreditou no compromisso deste governo na construção de políticas para a parcela da população expropriada historicamente.

Diante da luta e da história a Comunidade de Remanescentes de Quilombos Invernada dos Negros não vai recuar dos seus direitos. Foram seguidos todos os procedimentos exigidos pelo decreto 4.887/03 para a titulação e de acordo com os pareceres técnicos, está pronto para a assinatura da portaria pelo presidente da república.
No entanto, a comunidade foi surpreendida com a probabilidade de ser retirada da lista de comunidades que teriam a assinatura da portaria, prevista para 20 de novembro de 2009.
A retirada da portaria da Invernada dos Negros se consolidará como um retrocesso para luta por titulação dos territórios quilombolas e para as demais lutas do povo negro.
O momento é de unidade, e viemos a público conclamar a todos para a luta pela assinatura da portaria da Comunidade Invernada dos Negros no dia 20 de novembro.
Pela titulação imediata, desenvolvimento e sustentabilidade dos territórios quilombolas.

Titulação já!!!
Reaja a violência racial!!!!
Reparação já!!!

Movimento Negro Unificado – SC;
Comunidade de Remanescentes de Quilombos Invernada dos Negros – Campos Novos – SC;
Comunidade de Remanescentes do Quilombo Campo dos Polli;
Comunidade dos Remanescentes do Quilombo Aldeia;
Comunidade dos Remanescentes do Quilombo Morro do Fortunato;
Comunidade dos Remanescentes do Quilombo São Roque;
Núcleo de Estudos Negros – NEN.


Assine o manifesto e envie para:

Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva
pr@planalto.gov.br
gabinete@planalto.gov.br

Casa Civil
Ministra-Chefe: Dilma Rousseff
casacivil@planalto.gov.br
gabinetecasacivil@planalto.gov.br

MDA
Ministro: Guilherme Cassel
guilherme.cassel@mda.gov.br
caio.franca@mda.gov.br

INCRA
Presidente: Rolf Hackbart
presidencia@incra.gov.br

Senadora Ideli Salvatti
ideli.salvatti@senadora.gov.br

Deputado Vignatti
dep.vignatti@camara.gov.br